Visita de uma velha amiga: leitura

É oficial estes dias estou de férias... Acordar à hora que me apetece, vestir o biquini e bora para a praia. Tenho uma condicionante...pouca gente que conheço está de férias, então apoiei-me numa amiga muito antiga e muitas vezes esquecida: a leitura. Entre o nadar e o apanhar sol, leio. Entre os muitos livros que tenho e ainda não tive oportunidade de ler, escolhi um que a espessura não assustasse e que me podesse suscitar interesse. Sem entender o porquê, escolhi o Afirma Pereira. Constatei que comprei este livro a 23-11-2002 e ainda não o tinha lido.
Fantástica escolha a minha, apanhei uns dois escaldões à custa da leitura deste livro. Neste momento, acabei de chegar da praia e terminei a leitura deste livro... Um livro que me cativou a todos os níveis. Tinha uma personagem forte, inteligente, mas que começa a despertar para a vida neste momento. História narrada em plena ditadura, cativou-me, igualmente, pela descrição da vida de então. Cativou-me o relembrar de grandes escritores e grandes falácias da literatura e cultura.
Cativou-me a história de amor e o desfolhar de uma amizade...
Relembrei-me de pequenas coisas, como as que dei em Literatura Comparada, quando tirei a licenciatura em literaturas. Falávamos da figura do duplo ou do super-ego e alter-ego....Aqui consegui reencontrar muitos aspectos que me fizeram tirar a licenciatura nesta área. A fruição da leitura, a construção semântica, as várias teorias que poderemos retirar deste livro, a minha paixão pela História e o que esses eventos poderão ter provocado de um ponto de vista sociológico...
Definitivamente a minha amiga leitura acompanhou-me estes dias...
Deixo-vos a sugestão: Afirma Pereira de António Tabucchi...
P.S: aqui fica uma sinopse da obra: http://static.publico.clix.pt/docs/cmf/autores/antonioTabucchi/amanha.htm

As pequenas coisas...

Hoje acordei, vi o sol, sorri...no segundo seguinte reflecti e pensei..."Vou trabalhar, arrr". Posso afirmar que nem sempre foi assim, mas neste momento é isto sentimento que tenho sentido.
Lá cheguei eu ao trabalho, sorriso de trabalhadora, inspiração para a nova semana, respirar fundo, preparar-me para as coisinhas laborais da treta, que ultimamente são muitas...
No meio disto tudo, num espaço sem condições, sem vontade de cá estar, por diversos motivos que não vêm ao caso, passam-se pequenas coisas...pequenos gestos...pequenos nadas que são tudo...
Ponho música, quero sentir calor, quero sentir a cor, o calor da palavra conjuntamente com o sentimento de proximidade, oiço o meu amigo...Embora no Japão...está aqui mesmo....mesmo ao meu pé, a dar aquele calor amigo e aconchegante...
Pequenas coisas, pequenos gestos...numa altura em que me sinto magoada com o trabalho, com as pessoas, alguém chama-me a um canto. Envergonhada, tímida e humilde trás algo nas suas mãos...Foi a Fátima, trouxe-me um terço para ter na minha mala e dar-me sorte...tão humilde que estava e estava a dar-me tanto...o gesto de agradecimento, o sorriso que me deu...
Fiquei emocionada...fiquei feliz...pequenas coisas...que nos dizem tanto...
Já sentiram isto???
Pequenas coisas que nos dizem tanto???

Sem sistema...


Quem nunca chegou a um serviço e ouve a seguinte resposta..."Estamos sem sistema, não podemos ajudá-lo neste momento..."

Eis uma imagem que ilustra uma situação destas....

Ridículo do dia...

Encontrar um homem macho, muito macho, numa passadeira, com um volume de massa muscular considerável...daqueles com um andar até diferente e os braços arqueados...com uma t-shirt do estrunfe... :P


Carnaval...


Estão abertas as festividades...

Declaro "aberto" o meu espírito para celebrar o Carnaval. Preciso da agitação, do movimentar, do calor humano, das tontices que se dizem, das personalidades que assumimos...Preciso urgentemente de sair da rotina diária.

Por vezes tenho saudades do meu sorriso...

Nunca vos aconteceu???


Bom Carnaval...e toca a sambar!!!

Signos que nos abraçam...

Ao contrário do que poderiam pensar, os signos de que vos falo são os signos linguísticos.


Aqui vai uma imagem que se verifica como a língua, as letras, as palavras, nos abraçam diariamente.

Votos de uma excelente semana,

Quê?

"As perguntas: “Quem és?” ou “”Quem sou?” têm respostas fáceis: a pessoa conta a sua vida e assim se apresenta aos outros. A pergunta que não tem resposta formula-se de outra maneira: “Que sou eu?” Não “quem” mas “quê”. Aquele que fizer essa pergunta enfrenta-se com uma página em branco e o pior é que não será capaz de escrever uma palavra que seja."
José Saramago

http://caderno.josesaramago.org/2009/01/26/que/

Biblioteca Online

Mais uma iniciativa de louvar. A Biblioteca Camões tem ao seu dispor uma série de e-books de literatura canónica.

http://biblioteca.camoesonline.com/index.html

EMOÇÃO E POESIA

"Quem quer que seja de algum modo um poeta sabe muito bem quão mais fácil é
escrever um bom poema (se os bons poemas se acham ao alcance do homem) a respeito de
uma mulher que lhe interessa muito do que a respeito de uma mulher pela qual está
profundamente apaixonado. A melhor espécie de poema de amor é, em geral, escrita a
respeito de uma mulher abstrata.
Uma grande emoção é por demais egoísta; absorve em si própria todo o sangue do
espírito, e a congestão deixa as mãos demasiado frias para escrever. Três espécies de
emoções produzem grande poesia - emoções fortes e profundas ao serem lembradas muito
tempo depois; e emoções falsas, isto é, emoções sentidas no intelecto. Não a insinceridade,
mas sim, uma sinceridade traduzida, é a base de toda a arte.
O grande general que pretende ganhar uma batalha para o império de seu país e para a
história de seu povo não deseja - não pode desejar ter muitos de seus soldados assassinados
(mortos). Contudo, uma vez que tenha penetrado na contemplação de sua estratégia,
escolherá (sem um pensamento para seus homens) o golpe melhor, embora o faça perder
cem mil homens, em vez da estratégia pior, ou mesmo a mais lenta, que lhe pode deixar
nove décimos daqueles homens com quem e por quem luta, e a quem, em geral, ama.
Torna-se um artista por amor a seus compatriotas, e expõe-nos à carnificina por causa de sua
estratégia."

Fernando Pessoa

Destino: reflectir? viver? estar? ser?

É verdade que nunca mais me tinha pronunciado... Não foi por falta de pensar ou não querer...foi simplesmente assim...Todavia, hoje sinto a necessidade de partilhar. Descobri este poema - através deste site: http://casafernandopessoa.cm-lisboa.pt - fruto de uma troca de conhecimentos com uma grande amiga.

Aqui vai este poema do heterónimo de Fernando Pessoa, Ricardo Reis, intitulado : "Segue o teu destino"

Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias

A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.

Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te.
A resposta
Está além dos Deuses.

Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.