Quê?

"As perguntas: “Quem és?” ou “”Quem sou?” têm respostas fáceis: a pessoa conta a sua vida e assim se apresenta aos outros. A pergunta que não tem resposta formula-se de outra maneira: “Que sou eu?” Não “quem” mas “quê”. Aquele que fizer essa pergunta enfrenta-se com uma página em branco e o pior é que não será capaz de escrever uma palavra que seja."
José Saramago

http://caderno.josesaramago.org/2009/01/26/que/

Biblioteca Online

Mais uma iniciativa de louvar. A Biblioteca Camões tem ao seu dispor uma série de e-books de literatura canónica.

http://biblioteca.camoesonline.com/index.html

EMOÇÃO E POESIA

"Quem quer que seja de algum modo um poeta sabe muito bem quão mais fácil é
escrever um bom poema (se os bons poemas se acham ao alcance do homem) a respeito de
uma mulher que lhe interessa muito do que a respeito de uma mulher pela qual está
profundamente apaixonado. A melhor espécie de poema de amor é, em geral, escrita a
respeito de uma mulher abstrata.
Uma grande emoção é por demais egoísta; absorve em si própria todo o sangue do
espírito, e a congestão deixa as mãos demasiado frias para escrever. Três espécies de
emoções produzem grande poesia - emoções fortes e profundas ao serem lembradas muito
tempo depois; e emoções falsas, isto é, emoções sentidas no intelecto. Não a insinceridade,
mas sim, uma sinceridade traduzida, é a base de toda a arte.
O grande general que pretende ganhar uma batalha para o império de seu país e para a
história de seu povo não deseja - não pode desejar ter muitos de seus soldados assassinados
(mortos). Contudo, uma vez que tenha penetrado na contemplação de sua estratégia,
escolherá (sem um pensamento para seus homens) o golpe melhor, embora o faça perder
cem mil homens, em vez da estratégia pior, ou mesmo a mais lenta, que lhe pode deixar
nove décimos daqueles homens com quem e por quem luta, e a quem, em geral, ama.
Torna-se um artista por amor a seus compatriotas, e expõe-nos à carnificina por causa de sua
estratégia."

Fernando Pessoa

Destino: reflectir? viver? estar? ser?

É verdade que nunca mais me tinha pronunciado... Não foi por falta de pensar ou não querer...foi simplesmente assim...Todavia, hoje sinto a necessidade de partilhar. Descobri este poema - através deste site: http://casafernandopessoa.cm-lisboa.pt - fruto de uma troca de conhecimentos com uma grande amiga.

Aqui vai este poema do heterónimo de Fernando Pessoa, Ricardo Reis, intitulado : "Segue o teu destino"

Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias

A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.

Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te.
A resposta
Está além dos Deuses.

Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.